Alunos da Escola Guedes de Azevedo realizam atividade pedagógica no Dia Mundial da Água

No dia 22/3, a Escola Guedes de Azevedo levou 27 alunos, dos 6º e 7º anos, para uma expedição pedagógica aos rios Bauru, Batalha e à Estação de Tratamento de Água de Bauru, como parte de uma atividade extraclasse e também, em comemoração ao Dia Mundial da Água.

Esta iniciativa da escola já tem mais de 20 anos e o diretor da instituição, Roberto Pallotta, comenta que, ao longo do tempo, observou nitidamente a degradação dos leitos e margens dos rios pela intervenção direta do homem. “No início do projeto, em 1995, a calha do Rio Batalha tinha de 4 a 5 metros. Hoje, a profundidade não passa de 1 a 1,5 metros”, alerta.

1ª parada - esgoto a céu aberto

Na primeira parada do passeio, os estudantes puderem verificar no Rio Bauru o derramamento de esgoto sem tratamento algum e analisaram junto com Roberto Pallotta e as professoras, Márcia Pandolfelli Campos e Tereza Domingues, a qualidade da água. Os resultados corresponderam ao que visualmente e olfativamente as crianças perceberam no local, água totalmente poluída: alta taxa de amônia, algo em torno de 6,5 partículas por milhão (PPM) e bastante concentração de nitrato, 1,5 PPM, que já indicam inviabilidade de vida marinha mais sensível neste rio, apenas de seres que conseguem sobreviver a ambientes mais hostis.

“A surpresa foi a presença de grande quantidade de oxigênio, 8 PPM, que contraria a nossa previsão de ausência do elemento na água. Atribuímos a sua presença a ocorrência das chuvas nos últimos dias”, explica Roberto.

2ª parada - margem destruída

Na segunda parada da manhã, os alunos se assustaram com o cenário que encontraram no Rio Batalha, próximo à ponte do Cedro, em Piratininga. Em decorrência da forte chuva que caiu na região em janeiro, que causou problemas na lagoa de captação do Batalha, além de todos os transtornos em Bauru, em todo o curso do Rio Batalha a força da água destruiu tudo que estava à margem.

Neste ponto, em específico, os estudantes puderem ver construções de quiosques, que eram lanchonetes de pesque-pague, totalmente destruídos, uma grande árvore caída que obstrui a passagem do rio e viram até onde o nível da água chegou durante o temporal, cerca de 1,5 metros de altura. “Essa parte que visitamos foi totalmente alagada, em um raio de aproximadamente 300 metros, com água na altura em torno de 3 a 4 metros. Além do grande volume de água, essa destruição aconteceu por causa do assoreamento do rio, a devastação da mata ciliar e, claro, pelo acúmulo de lixo que jogamos diariamente”, observa Pallotta.

Por outro lado, os testes com a água apresentaram índices satisfatórios, com grande presença de oxigênio, baixa incidência de amônia, cerca de 0,25 PPM e quase ausência de nitrato, em torno de 0 a 0,5 PPM. “São resultados que nos dão a esperança de que o Rio Batalha possa continuar a ser fonte para consumo 40% da população de Bauru e, quem sabe no futuro, um rio que possa voltar a ser local de lazer, pesca e entretenimento, com consciência ambiental do homem”, reflete o diretor da Escola Guedes de Azevedo.

3ª parada – água limpa

Na última parte da expedição, os estudantes conheceram a Estação de Tratamento de Água (ETA), que trata a água captada da lagoa do Rio Batalha e distribui a aproximadamente 40% da cidade de Bauru.

Os alunos visitaram os tanques de floculação, decantação e filtragem da água, observando in loco a quantidade de sujeira extraída e como a água sai do tratamento limpa e própria para o consumo. “Esta etapa da atividade é importante porque eles observaram antes o Rio Bauru poluído, o Rio Batalha em boas condições, mas, impróprio para o consumo e, por fim, o processo de limpeza e tratamento daquela água que eles tinham visto no Batalha. Fecha-se o ciclo de tratamento e espera-se que, após essa expedição, a semente da conscientização sobre a preservação da água esteja presente em cada aluno”, finaliza Pallotta.