Em comemoração ao Dia Mundial da Água, estudantes realizam expedições aos rios Bauru e Batalha

Alunos da Escola Guedes de Azevedo em 2014

Há 20 anos, a Escola Guedes de Azevedo leva alunos para visitar locais onde são realizadas captação de água para consumo e despejo de esgoto sem tratamento

Ver e sentir os efeitos do assoreamento dos rios, a erosão provocada pelo desmatamento da mata ciliar, a ausência de animais nativos que dependem do equilíbrio sustentável da natureza, a degradação dos rios provocados pela poluição e realizar análises da qualidade da água são alguns dos objetivos da expedição aos rios Batalha e Bauru e à Estação de Tratamento de Esgoto (ETA) que a Escola Guedes de Azevedo promoverá com os alunos do 6º e 7º anos na próxima sexta, dia 20 de março, das 8h às 12h, em comemoração ao Dia Mundial da Água.

 

Este trabalho interdisciplinar faz parte do calendário letivo da instituição há 20 anos e confere aos alunos um estudo do meio ambiente, com atividades práticas de coleta de água e análise de oxigênio, PH e amônia, que são indicadores de presença de material orgânico na água.

 

“Quando realizamos a primeira visita ao rio Batalha, em 1995, o nível da água ficava em média de 3 a 4 metros de profundidade. Hoje, constatamos que este nível não passa de 50 centímetros em seu volume considerado normal”, observa o professor de geografia Gilson Miguel Aude.

 

A visita também possui a missão de conscientizar os alunos sobre a importância de realizar um projeto de preservação da água. “É trabalhada durante as aulas a necessidade de conservação dos mananciais, das nascentes, da mata ciliar e do equilíbrio da biodiversidade no entorno dos rios para que a água, recurso renovável, não se torne cada vez mais finita, como temos percebido nos últimos anos”, explica a professora de ciências Andrea Gandara Sanches.

 

Visão cidadã

Ampliar o olhar para questões além da sala de aula, promovendo uma consciência cidadã de seu papel na sociedade é um dos principais conceitos de ensino da Escola Guedes de Azevedo.

 

“Há 20 anos, quando ainda não havia esse discurso de sustentabilidade e economia sustentável, a escola iniciou essas expedições já preocupada com a formação dos alunos para uma visão mais cidadã do mundo, para mostrar a eles as implicações de um descarte inadequado de lixo, e ocupação irregular demográfica, a fim de que os estudantes se sentissem impactados pela visita e entendessem que o problema não restringe ao meio, mas, também os atinge dentro de casa”, explica Roberto Pallotta, diretor da instituição.

 

Além de visitas aos rios, anualmente, os estudantes do Ensino Fundamental II participam de excursão ao aterro sanitário de Bauru, local que tem tomado espaço na mídia por seu total esgotamento. “Na década de 90, o aterro sanitário estava no seu primeiro talude, algo em torno de 3 metros de altura. Se na naquela época já estivesse institucionalizada a coleta seletiva de lixo, com a separação do lixo orgânico do lixo seco e passível de reciclagem, o aterro poderia hoje, em 2015, ter mais de 15 a 20 anos de vida”, analisa Pallotta. 

 

A professora Andréa Sanches acrescenta que os alunos também aprendem que existe a possibilidade de empreender e lucrar com o que é descartado. “Nas aulas de empreendedorismo discutimos que, do lixo, podem surgir inúmeras oportunidade de negócio, como reciclagem de papelão, garrafa pet, alumínio, entre outros materiais. É uma forma de mostrar aos estudantes a consciência do descarte sustentável do lixo”. 

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