Expedição à Ilha do Cardoso e Cananéia reportagem do realizada pelo JCnet

Adolescentes de Bauru fazem expedição ao litoral Sul

Alunos do 8º ano do Ensino Fundamental da escola Guedes de Azevedo, de Bauru, tiveram uma experiência inesquecível no mês de novembro. Os adolescentes participaram de uma expedição à Ilha do Cardoso e Cananéia, no litoral sul do Estado de São Paulo, e tiveram contato com o meio ambiente, com a história e com a cultura da população local.

A geração que cresceu junto aos computadores e aparelhos celulares deixou a tecnologia de lado por três dias e participou de uma série de atividades e aventuras, conhecendo e aprendendo coisas com as quais jamais tinham tido contato anteriormente. “Os dias eram tão cheios, que a gente nem lembrava que existia internet, MP3, e tudo mais”, conta Victória Guereschi Kholman, de 14 anos.

A vivência junto à natureza também marcou a viagem dos estudantes. A Mata Atlântica, um bioma originalmente presente em quase todo o território brasileiro, mas devastado em 97%, é preservada quase que integralmente na Ilha do Cardoso.

Lá os adolescentes também conheceram e entraram no mangue, apesar do susto inicial por conta do mau cheiro e da quantidade de lama, onde muitos ficaram literalmente atolados. “Fomos prevenidos com todo o suporte para encarar o mangue e outras aventuras, como a trilha para a cachoeira. A gente recebeu uma lista com tudo o que precisava levar, como lanternas, calças compridas e tênis para entrar na lama”, lembra Victória.

Os animais também chamaram a atenção dos expedicionários: caranguejos, aranhas, peixes e até golfinhos foram vistos por lá. Rodrigo Gobbi Francischoni, de 13 anos, ficou encantado com as algas bioluminescentes. “Fomos à praia a noite e assistimos a um verdadeiro espetáculo. As algas brilham da mesma forma que os vaga-lumes. O mar fica muito bonito com esse efeito porque a gente vê as ondas quebrando com aquela luz verde”, conta.

Em Cananéia, o grupo teve contato com um lugar cheio de história para contar. Fundada em 1531, a cidade preserva sua arquitetura original, com grande parte dos imóveis tombados. Apesar disso, Cananéia é uma cidade economicamente pobre e a população vive da pesca e do artesanato.

Os alunos também contam com entusiasmo sobre os sambaquis (depósitos de lixo, oferendas, corpos humanos, restos de animais, entre outras coisas) constituídos por povos nômades que habitavam o Brasil há cerca de 8 mil anos atrás, além da “cidade fantasma” na Ilha de Ararapira. “É uma cidade completamente abandonada, onde ninguém viva há muito tempo, mas lá existe um cemitério que as pessoas vão visitar, deixam flores. Apesar de inabitada, ela está sempre bem cuidada”, explica a professora Marly de Fátima Monitor de Oliveira, que acompanhou os alunos na expedição. “É uma experiência única, inclusive para que eles se relacionem . Como estão em situações fora do comum, um precisa da ajuda do outro o tempo inteiro”, afirma ela.


Intercâmbio Cultural

Instalados em uma pousada na Ilha do Cardoso, os adolescentes aderiram a alguns hábitos e costumes da população que vive no local. São cerca de 400 pessoas no local, sendo 150 na região da ilha onde o grupo se hospedou.

Pedro Henrique da Silva Issa, de 14 anos, guarda consigo experiências inusitadas. “Eu nunca gostei de peixe e continuo não gostando, mas, na Ilha, fui, de certa forma, forçado a experimentar e foi muito bom. O peixe era fresco, tinha um sabor mais leve”, conta o estudante.

Os alunos tiveram também a oportunidade de conhecer um pouco mais da cultura caiçara (como é chamada a população que vive no local), em uma noite de muita música e dança. Um grupo nativo tocou canções de um ritmo chamado fandango, vindo de Portugal e adaptado à realidade dos caiçaras, que retratam na música suas vidas e seu cotidiano.

Roberto Palotta, diretor da escola, explica que essa era uma manifestação cultural que quase foi perdida com o passar do tempo, mas que vem sendo recuperada pela comunidade a fim de manter viva a tradição caiçara. “Eles foram privilegiados por isso e adoraram. Apesar de estarem acostumados com o rock, o pop e a música eletrônica, não resistiram e foram dançar a música de raiz junto com os membros do grupo musical”, relata.



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Expedição vira programa no Repórter Eco da TV Cultura

A equipe do programa Repórter Eco, da TV Cultura, interessada no projeto da Escola Guedes de Azevedo, já realizado há cinco anos, enviou uma equipe para Cananéia e para a Ilha Cardoso a fim de retratar a experiência dos adolescentes em uma reportagem especial.

“Inicialmente seria apenas uma matéria de cinco minutos, mas a produção ficou tão animada com tudo o que viu por lá, que resolveram dedicar duas edições do programa especialmente para a nossa expedição”, conta Roberto Palotta, diretor da escola.

Foram capturadas mais de 8 horas de imagens em vídeo durante os três dias de viagem dos estudantes, que vão ser editadas em 40 minutos que vão ao ar entre os dois programas. As edições especiais do Repórter Eco serão exibidas pela TV Cultura em dois domingos, amanhã, 26 de dezembro, e 2 de janeiro, a partir das 18 horas.

“Não é a primeira vez que ganhamos um espaço na mídia. Ano passado, ocupamos quatro páginas do caderno de Turismo do Jornal da Cidade. É muito gratificante ver o resultado do trabalho que realizamos com tanto empenho”, diz Palotta.
Vinícius Lousada

Fonte: JCNET - 25/12/2010 - Veja a Reportagem do JC