Palhaço Rogerito

A vida de Paulo Sérgio Rodrigues, 28 anos, mais parece enredo de filme.Gaúcho de São Sepé, filho de pai lavrador e mãe dona-de-casa, PauloSérgio, o palhaço Rogerito, é segundo filho de uma família e de quatroirmãos. O menino pobre se encantou com o universo do circo quando acompanhia Montreal chegou à cidade de opções de diversão escassas.


Tentou “furar a lona”, sem sucesso. Insistente e com talento paravenda conseguiu emprego para vender doces para a platéia.Brincando com meninos do circo, exibiu facilidade para saltos. Foiconvidado a seguir carreira no picadeiro e mãe concordou. Depoisse arrependeu e, com a polícia, resgatou o filho em outra cidade. Maso sonho falou mais alto. Em uma madrugada, com cinco cruzeiros nobolso, conseguiu embarcar em um ônibus para ir ao encontro da trupe.


Versátil, atuou no Globo da Morte. Surpreso com a ação do menino ecom medo de confusão, o proprietário prometeu devolvê-lo à família.
Mas ele foi ficando. “O circo era minha vida. Nem me lembrava maisda minha casa”, conta. Observador e com facilidade para aprender,logo virou astro no trapézio, nos malabares e no Globo da Morte.
“Faço tudo”, diz.Aos 14 anos e com carreira em ascensão, realizou o sonho de chegarao Beto Carrero. E reencontrou a mãe. “Voltei à São Sepé. Minha mãe,que me julgava morto, desmaiou de emoção. Mas viu minhas fotos eficou orgulhosa".


Em uma dessas andanças, conheceu em Bauru a professora de educaçãofísica Marcela Zaratin. Passaram a namorar a distância e a se encontraruma vez por mês. Seguiu carreira no exterior. No ano passado, apósacidente no Globo da Morte, na França, decidiu deixar o circo e se fixarem Bauru.